Micro e pequenos alavancam crescimento do Rio
Desde julho de 2006, o Sebrae/RJ, em parceria com a FGV, estuda o desempenho, o dinamismo e a confiança das micro e pequenas empresas fluminenses. Com boas novas, os Indicadores das MPE (Impe) apontaram que as cerca de 145 mil empresas - formais e empregadoras do Estado do Rio - pagaram aos seus funcionários um adicional de 12% em salários e ampliaram o faturamento em 11,4%.
“A notícia boa que a pesquisa traz é que as pequenas empresas estão crescendo mais que a economia brasileira e fluminense. Ela confirma que a pequena empresa é a grande empregadora do Rio e do Brasil”, comemorou Sergio Malta, diretor-superintendente do Sebrae/RJ.
O salário médio também sofreu acréscimo significativo, com variação anual de 6,4%. Em julho de 2006, a média era de R$ 583,53. Depois de um ano, a sondagem registrou R$ 646,93.
E o interior foi destaque, com crescimento real de 7,3% contra 6,2% da região metropolitana. “Esse crescimento também se deve a uma nova visão dos prefeitos que está direcionada para a necessidade de criação de empregos e de melhoria do ambiente para as MPE”, contextualizou Malta.
A média atual, no entanto, ainda é maior nos centros urbanos próximos à capital: R$ 674,77 - mais de R$100 de diferença para o interior (R$ 567,52).
Serviços impulsionaram alta
O setor de serviços puxou para cima o faturamento, com variação real de 15,6% - pouco maior que a indústria (11,9%) e mais que o dobro do comércio (7,4%). “O Rio está vivendo um momento especial. Cada vez mais eventos importantes vêm para a cidade, principalmente aqueles ligados à economia criativa: turismo, moda e gastronomia”, explicou o diretor-superintendente da entidade.
A propósito, entre as atividades que mais contribuíram para o bom desempenho das MPE estão os restaurantes e estabelecimentos de bebidas (24,1%), hotéis (16,9%) e lojas de vestuário e calçados (9%).
Em doze meses, as MPE formais e empregadoras pagaram 12% a mais em salários. Neste contexto, o interior saiu na frente, com alta de 12,8%. Na metrópole, o aumento foi registrado em 11,8%. O comércio apresentou o maior crescimento de massa salarial: 12,8%, contra 11,9% de serviços e 10,1% da indústria.
Embora a média salarial da indústria tenha crescido mais (8,1%), os trabalhadores do setor de serviços ostentam a maior média: R$ 680,78, seguidos pela indústria (R$ 665,40) e pelo comércio (R$ 606,28).
MPE faturaram R$ 4,1 bilhões
Em julho de 2007, as micro e pequenas empresas do Estado do Rio ocuparam 1,9 milhão de pessoas e geraram 24,9 mil novos empregos. Para Malta, ”os números mostram que as MPE estão se preparando para o futuro, ou seja, para ocupar um espaço cada vez maior na economia do Estado do Rio”.
Estes empreendimentos injetaram na economia, a título de remuneração dos seus empregados, R$ 991 milhões - R$ 13,5 milhões adicionais em comparação a junho deste ano.
No quesito volume de negócios, R$ 4,1 bilhões foram movimentados - R$ 43 milhões em um mês. O setor de serviços fluminense esteve à frente da média estadual: 1,4% contra 0,9%. Entre metrópole e interior, a primeira região teve o melhor desempenho.
A massa salarial das micro e pequenas empresas fluminenses apresentou, em julho de 2007, crescimento de 1,2% em relação ao mês anterior. Segundo a pesquisa, a região metropolitana teve a maior variação em salários pagos, especialmente nos setores da indústria (1,7%) e do comércio (1,6%).
Em relação ao mês anterior, o número de pessoas ocupadas cresceu 1,1%. Novamente, os setores que mais contribuíram para o resultado foram indústria (1,7%) e comércio (1,3%). Na região metropolitana, o desempenho foi de 1,1%, ao passo que o interior cresceu 1,2%.
Empresários comemoram “onda de ascensão social”
Donos de micro e pequenas empresas do Estado do Rio acreditam que, entre outros motivos, os bons ventos foram trazidos pelo aumento do poder aquisitivo de camadas mais pobres. Como sugere a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios 2006, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O instituto registrou um ganho real de 10% em salários para os mais pobres - maior que a média geral, de 7,2%. Motivados por estes dados, Sebrae/RJ e FGV perguntaram a empresários se eles têm sido beneficiados pela “terceira onda de ascensão social” - a primeira, com o Plano Real; a segunda, no início da década de 2000.
Ao todo, 61% dos entrevistados afirmaram perceberem o aumento do consumo nas classes de menor poder aquisitivo. Deste grupo, cerca de 60% crêem estar se favorecendo deste quadro ou que um dia se beneficiarão.
De acordo com o IBGE, o gasto com bens não-duráveis cresceu cerca de 11% de 2005 (29,1%) para 2006 (40,3%). Já as classes C e B teriam crescido - com mais 1,5 e 1,2 milhão de famílias, respectivamente -, infladas por emergentes das classes E e D.
Fonte: Sebrae RJ
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