Indústria perde espaço para empresas de serviços
O estudo dos professores Fábio Scatolin e Marcio José Cruz, da Universidade do Paraná, intitulado “Mudança estrutural na Economia brasileira: participação da indústria e dos serviços”, será discutido nesta terça-feira em seminário do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Ele mostra que a desindustrialização do País não tem a ver com a crescente tecnologia, mas com o “inchaço” do setor de serviços de baixa produtividade.
De acordo com a Rais (Relação Anual de Informações Sociais), os serviços ampliaram sua participação no total de empregos da economia de 65,59% para 72,39%, entre 1985 e 2005, com a criação líquida de aproximadamente 11 milhões de novos empregos.
De todos os segmentos do setor, o que mais se expandiu na geração de empregos foi o da Administração Pública, com um crescimento, em termos absolutos, de 3.146 empregos, entre 1985 e 2005. Em segundo lugar, aparece o comércio varejista, com um ganho líquido de 2.934 mil empregos no período, sendo o segmento de serviços o que mais aumentou sua participação relativa, passando de 16,21% para 21% no total desse setor, na mesma base comparativa.
Crescimento não ajuda economia
A perda de participação dos segmentos da indústria de transformação, com destaque para os de média intensidade tecnológica contra os intensivos em recursos naturais, acompanhada da manutenção de empregos de baixa produtividade no setor de serviços, ajuda a entender o fraco desempenho da economia brasileira a partir da década de 80 até os dias atuais.
Os dados sugerem que a perda de empregos de alta produtividade na indústria não foi acompanhada pela criação de empregos de produtividade alta nos serviços. “O setor não passa a contribuir mais significativamente para o dinamismo da economia, mas representa um refúgio ou mecanismo de sobrevivência para aquelas pessoas que não encontram melhores oportunidades de trabalho”, informa Cruz.
“Se a perda de empregos industriais tivesse como contrapartida o aumento do emprego nos segmentos do setor de serviços, que possuem grande potencial dinâmico e efeitos de encadeamento com outros setores da economia, tal processo seria virtuoso, como é o caso na maioria dos países desenvolvidos e provavelmente o caso da economia indiana”, diz um dos autores, o professor Marcio Cruz.
Segundo ele, na Índia, os segmentos do setor de serviços que mais ganharam importância como um motor alternativo do crescimento são aqueles ligados à tecnologia de informação e comunicação, que teriam alta produtividade.
Como se pode ver, em 1998, o Brasil ficou atrás até mesmo das economias em desenvolvimento citadas. Os autores dizem que a década perdida (anos 80) na América Latina coincidem com um período de rápido progresso técnico e difusão de novos paradigmas na economia internacional. Nesse contexto, o colapso das taxas de investimento na região deu lugar a uma trajetória de defasagem tecnológica crescente, difícil de ser revertida no curto prazo.
Entretanto, eles reconhecem que a queda da participação da indústria no emprego, situação verificada no Brasil, é esperada como parte do processo normal de desenvolvimento. Ao comparar a taxa de crescimento dos empregos na indústria, indústria de transformação e serviços no período compreendido entre 1986 e 2005, os valores são 1,91%, 1,53% e 3,55%, respectivamente.
Fonte: InfoMoney
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