Teoria da Responsabilidade Total
Por Maurício de Oliveira em out.27, 2011 em Gestão
A qualidade tem um efeito interno direto na produtividade. Basta imaginarmos a seguinte situação: todos nós realizarmos direitinho as nossas tarefas, em todas as vezes, sem errar e, consequentemente, sem ter que corrigir. Isso significaria que um volume maior de trabalho poderia ser realizado, sem aumentar o número de horas de trabalho. Adicionalmente os custos de inspeção e ensaios poderiam ser reduzidos ou mesmo eliminados, e o tempo que sobrasse poderia ser convertido em atividades produtivas. Vale dizer que reparações, reclassificações, retrabalhos, tensões, encrencas, perdas de tempo e desperdícios seriam eliminados porque tudo foi feito corretamente. Ora, concluímos então que a qualidade em cada atividade que executamos, quando conseguida de primeira pode ser encarada como uma estratégia de negócio da empresa, uma vez que aumenta a produtividade, reduz custos e faz a empresa faturar mais. O que custa dinheiro, na verdade, é fazer errado e depois ter que corrigir.
Então, produzir com qualidade é produzir no menor tempo possível e ao menor custo, produtos ou serviços que atendam aos requisitos do cliente, e adequado ao seu uso e finalidade, fazendo-os bem, logo de cara, na primeira vez, e sempre conformes com as especificações ou normas solicitadas pelo cliente. No entanto para que isto seja realmente possível é necessário entender que numa empresa não existem apenas os clientes e fornecedores externos. Todos somos clientes de outros colegas ou de outros departamentos internos.
Significa dizer que o cliente interno de um funcionário que executa uma tarefa ou operação, é aquele que recebe o resultado de seu trabalho e o continua. Ora, toda vez que é detectado um problema no ciclo de produção, este deve ser corrigido na origem para não se propagar e ocasionar mais desperdício de trabalho, material, energia, tempo e estresse, encrencas e etc. Tecnologias modernas, máquinas e softwares sofisticados ajudam muito; mas o foco principal tem de ser as pessoas. Por isso tudo, um sistema de gestão de qualidade numa empresa deveria buscar basear-se na auto-gestão-pessoal. Poderíamos chamar também de Teoria da Responsabilidade Total. O foco principal desta filosofia é buscar uma forma de aumentar o comprometimento das pessoas, dos funcionários, com o seu trabalho, seja ele qual for. Mostrar a importância deste trabalho dentro do processo (seja ele simples ou complexo), estimula-lo a aumentar a qualidade do que ele faz, através da checagem constante do que realizou, e, como conseqüência, reduzir custos com a diminuição da necessidade de mais supervisão e inspeção. O mote é: Faça direito logo na primeira vez, faça com atenção, confira e que fez e mande a bola pra frente. Simples assim.
Então a Teoria da Responsabilidade Total não é mais do que um sistema em que as ações de controle e verificação serão previamente planejados e executados de forma sistemática por quem as realiza, pelo executante, pelo pai da criança. Para dar substância a isto, entretanto, faz-se necessário uma série de ações e procedimentos planejados antecipadamente que devem estar disponíveis e figurar nos postos de trabalho a que dizem respeito. Especificamente falando, é necessário uma retaguarda de engenharia de produção que defina previamente o que vai ser feito, quando vai ser feito e, principalmente, como vai ser feito determinado trabalho (documentação técnica especificando material, ferramentas, processo, tolerâncias, normas aplicadas, tempo de execução e etc) ou operação, disponibilizando ao operador todos os insumos e recursos necessários (as entradas e as saídas).
Dispondo destas informações o operador estará formado e informado, sendo de sua responsabilidade o cumprimento dos requisitos especificados, inclusive os prazos. Mais do que aumentar apenas a sua responsabilidade, tal iniciativa faz com que o trabalhador deixe de ser apenas uma figura passiva, com um papel muitas vezes menor, para passar a ser um protagonista dentro do processo, com um papel ativo e parte integrante do ciclo de produção, com capacidade de intervenção, de responsabilização e a noção de efetiva participação no processo.
Não podemos perder de vista, contudo, que as pessoas só fazem as coisas, sem exceção, se for de seu interesse. Por conta disso, para cimentar com elevado grau de dureza esta relação, é importante que os funcionários tenham participação nos lucros da empresa. Não se trata de prêmios em dinheiro em valores fechados, pois isto geraria problemas individuais, considerando que cada um valoriza mais o seu próprio trabalho em detrimento do trabalho do outro, mas sim valores percentuais sobre o lucro que seria repartido pelos integrantes da produção, do chão de fábrica, o pessoal do caldeirão do diabo.
