Sistema de gestão da Medição – parte II

Por Maurício de Oliveira em dez.08, 2011 em Gestão

Maurício de Oliveira Sistema de gestão da Medição – parte II     Vimos na parte I deste artigo que um subsistema de gestão da medição, para ser criado, precisará responder a algumas questões pertinentes ao desenvolvimento dos processos; por exemplo: como elaborar um plano de calibração? como definir o intervalo entre calibrações? como aprovar um instrumento? e etc, etc, etc, sendo estas as mais importantes. Vimos primeiro como elaborar um plano de calibração, então vejamos agora como definir um intervalo de calibrações e as demais questões.
Para definir o intervalo de calibrações, respondendo a segunda pergunta, pode-se usar o seguinte princípio: estipular um intervalo inicial, por exemplo de três meses e executar quatro calibrações utilizando este intervalo inicial. A cada calibração seria necessário comparar o resultado com a tolerância permitida. Lembrando que se em alguma das calibrações o instrumento for reprovado, deve-se diminuir o intervalo entre calibrações imediatamente, por exemplo, reduzindo à metade. Caso não ocorra nenhuma reprovação e havendo compatibilidade entre os resultados obtidos em cada calibração, este prazo pode ser estendido até ao dobro do intervalo anterior. Deve-se, no entanto, ter muito cuidado ao estipular um novo intervalo, pois é preferível manter intervalos curtos, que possibilitem bons resultados, a aumentar o prazo demasiadamente e se arriscar a obter resultados ruins.
Para aprovar um instrumento, pergunta que a implementação de um subsistema de gestão da medição precisará também responder, o usuário deve comparar o resultado da calibração, com a tolerância estipulada. Se porventura o instrumento for reprovado após a comparação, existem alguns caminhos possíveis, como por exemplo: ajustar para diminuir o erro e calibrar novamente; enviar para manutenção e repetir a calibração; destinar o instrumento para outra atividade para a qual a tolerância seja maior, ou descartar o instrumento, caso nenhuma das opções anteriores possam ser adotadas. Entretanto, para isto tudo funcionar, o responsável pela função metrologia deve garantir que o pessoal implicado no subsistema de medição tenham as aptidões necessárias para desempenhar as tarefas que lhes forem atribuídas. Qualquer necessidade de competência especializada necessária deve ser especificada, sendo que os membros devem ser informados do alcance das suas responsabilidades e obrigações, bem como do impacto das suas atividades na eficácia do subsistema de gestão da medição na qualidade final do produto.
Os procedimentos do subsistema de gestão da medição devem estar convenientemente documentados e validados, de forma a assegurar a sua correta implementação, coerência e validade dos resultados. A edição de novos procedimentos ou modificações existentes devem ser autorizadas e verificadas. Os procedimentos devem estar em dia, acessíveis e ser fornecidos sempre que solicitados; tudo consoante itens 4.2.3 e 4.2.4 da norma ISO 9001:2008. Estes procedimentos técnicos podem ser baseados nas práticas standard de medição publicadas ou nas instruções escritas pelos fabricantes dos equipamentos.
Para garantir resultados satisfatórios, mesmo não estando no escopo da qualificação ISO 9001 da empresa, a função metrologia deve planejar e conduzir auditorias no subsistema de gestão da medição, para assegurar a eficácia contínua da sua implementação e da satisfação para com as exigências especificadas. Inclusive os resultados das auditorias devem ser transmitidos às partes envolvidas e ao representante da direção no sistema de gestão da qualidade. Sendo ainda que todas as auditorias do sistema de gestão da medição e todas as modificações do sistema devem ser registrados (item 4.2.4 da ISO 9001). Estas auditorias pode ser realizadas por auditores internos ou subcontratados, desde que não sejam seus próprios domínios de responsabilidade.
Dentro dos processos que constituem o subsistema de gestão da medição, a confirmação metrológica e os processos de medição devem ser monitorizados, e esta ação deve ser realizada de acordo com procedimentos documentados, a intervalos estabelecidos e deve incluir a determinação de métodos aplicáveis, de técnicas estatísticas e do seu domínio de aplicação, e os resultados da monitorização dos processos e a confirmação de todas as ações corretivas que deles resultem, devem ser documentados para demonstras que esses processos satisfazem continuamente as exigências especificadas. Não se devendo perder de vista que as ações corretivas devem ser identificadas e receber o mesmo tratamento de uma RNC oriunda da área de produção, inclusive no que se refere a ações preventivas e ações corretivas. Na verdade um sistema de gestão da medição é muito mais que um conjunto de elementos inter-relacionados e interativos, necessários para obter a comprovação metrológica e o controle contínuo dos processos de medição, é uma grande ferramenta que, dependendo do ramo de atividade de uma empresa, será crucial para seu desenvolvimento e sobrevivência, valendo muito a pena se aprofundar no seu desenvolvimento.

Mauricio de Oliveira é engenheiro industrial mecânico, especializado em gestão industrial, gestão da qualidade e Consultor.

email: mauricio@kaizzen.com.br

site: www.kaizzen.com.br

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