Produtividade do Gestor- Como Consegui-la? – parte I

Por Maurício de Oliveira em nov.09, 2011 em Gestão

Maurício de Oliveira Produtividade do Gestor  Como Consegui la? – parte IProdutividade é sempre uma palavra na moda, tanto em termos macroeconômicos como nas empresas privadas, mas neste último caso o foco quase sempre é dirigido para os operários, o pessoal do chão de fábrica; mas e a produtividade dos gerentes e executivos? A priori não se pode medi-las usando a mesma sistemática com que se mede a produtividade dos operários, e nem se poderia, porque a produtividade destes funcionários se mede pela eficiência de suas ações, seja através de um aumento do volume de vendas, de produção ou de capacidade de gestão, e que é o foco deste artigo.
A Produtividade industrial de um modo geral pode ser expressa em diversas unidades de medida, sendo a mais usual o percentual (%), e os recursos de produção são medidos em homens-hora, quilogramas ou toneladas por hora-máquina ou pelo valor monetário destas horas. Porém, no mundo real da gestão de negócios não se pode usar os óculos-ta-tudo-azul e verificamos que não é tão simples assim. Qualquer movimentação para aumentar a produção, gerencialmente falando, deve ser precedida de uma análise do mercado onde atuamos. Para transformarmos os ganhos de produtividade em resultados, temos que conhecer as características da demanda por nossos produtos ou serviços. Com esta informação devemos decidir se faz sentido produzir mais ou se devemos manter o nosso volume de produção e reduzir custos, ou ambas as coisas. Portanto, conforme as características do mercado, devemos estabelecer estratégias de atuação. As principais alternativas seriam:

• Se atuamos num mercado em que a procura dos nossos produtos é grande, ou crescente, para atingirmos os ganhos de produtividade, temos que nos focar em aumentar a nossa oferta de produtos, mantendo, e se possível reduzindo,o consumo dos recursos necessários para sua execução.
• Caso contrário, se no mercado onde atuamos a procura dos nossos produtos é pequena, ou decrescente, para realizarmos os ganhos de produtividade, o nosso foco deverá ser a redução do consumo dos recursos necessários para a execução de nossos produtos/serviços, podendo diminuir ou manter a oferta destes.
Tendo definido a estratégia a ser adotada, deve-se então escolher as ferramentas aplicáveis para obter melhoria da produtividade. Antes, porém, analisemos um exemplo prático que dará uma visão simplificada do modo como determinada empresa se apresentaria em dado momento. O objetivo desta avaliação seria simular a definição de uma estratégia para a realização dos ganhos de produtividade naquela empresa.
A partir da análise do mercado em que a empresa se insere, vamos atribuir-lhe uma classificação numa escala de 0 a 10, onde 0 seria algo como “estou fora do mercado” e 10 seria “um mercado promissor, com grande espaço para a sua expansão”.Tenha em consideração os seus concorrentes, produtos e serviços substitutos do seu, a dificuldade ou facilidade com que novas empresas poderiam entrar neste mercado e o próprio tamanho do mesmo mercado, segundo a sua percepção. Analisando a situação da empresa no momento, teríamos o seguinte quadro:

A – caracterização do mercado:

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

B – Caracterização da capacidade de produção:

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Analisando a empresa, vamos qualifica-la em relação à capacidade produtiva, utilizando também uma escala de 0 a 10, onde 0 significaria uma produção artesanal precária e 10 seria a plena capacidade de produção, ou seja, o limite a partir do qual, para produzir mais, seria necessário ter que investir em equipamentos ou contratar mais pessoas. Conforme a pontuação atribuída nos itens acima, vamos identificar o quadrante (A, B,C ou D) que melhor represente a realidade.

tamanho do mercado

10
A B

C D
0
0 10
capacidade de produção
Quadrante A
Nesta situação, o mercado se caracteriza por haver uma procura por produtos e serviços maior que a oferta apresentada pela sua empresa e concorrentes. A sua capacidade de produção é baixa, portanto, se a sua empresa conseguir produzir mais, poderá melhorar a oferta de produtos/serviços para o mercado. Logo, conclui-se que, para conseguir ganhos de produtividade, terá que pretender aumentar o volume produzido, mantendo o consumo de recursos.

Quadrante B
Neste quadrante, o mercado possui as mesmas características do quadrante A. Porém, a sua capacidade de produção já é bastante grande. A questão é: continua-se a aumentar a produção (será que o mercado vai absorvê-la?), ou se tenta estabelecer um diferencial de custo?
Para alcançar ganhos de produtividade neste quadrante, seria necessário tomar uma decisão em função das alternativas apresentadas. Caso exista espaço no mercado, poder-se-á pretender o aumento do volume produzido; caso contrário, se poderá optar por estabelecer um diferencial no custo, mantendo o volume produzido e reduzindo o consumo dos recursos.

Quadrante C
Este quadrante apresenta um mercado reduzido e a capacidade de produção baixa. Portanto, a realização dos ganhos de produtividade passará pela redução do consumo
dos recursos. Se o mercado se apresentar retraído em função dos preços praticados, a sua empresa poderá oferecer melhores preços e assim obter vantagens. Como assegurar a realização do plano?

Quadrante D
Neste caso, provavelmente, existe capacidade ociosa na empresa. O enfoque tem que centrar-se, necessariamente, na redução do consumo dos recursos. Porém, deve ser analisada também a possibilidade de redução dos volumes produzidos para evitar a acumulação de estoques. Como veremos na segunda parte deste artigo.

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