À Procura de Um Líder de Projeto

Por Maurício de Oliveira em jan.27, 2012 em Gestão

Maurício de Oliveira À Procura de Um Líder de Projeto  Trabalhar em projetos em que você e os colaboradores acreditem e dêem tudo de si é a forma mais potente de tirar rendimento da sua equipe. Contudo para criar entusiasmo e dedicação o líder terá de alinhar as suas percepções e as suas preferências. A liderança é a função que assegura a autodeterminação do grupo. Permite a um coletivo mobilizar capacidades, conjugar vontades e direcionar as ações a realizar no quadro dos interesses da empresa. A aceitação do líder na equipe constitui uma ferramenta indispensável ao eficaz exercício da liderança. Ser visto de forma atrativa e ser preferido enquanto líder solicita-lhe garantir nos colaboradores uma imagem pessoal pela qual estes o vejam: determinado a protagonizar ações, capaz de integrar as diferentes potencialidades e interesses e providenciar a concretização oportuna dos resultados.
Para isso, por palavras e ações, com regularidade, assegure a percepção de que protagoniza com determinação, dando resposta às seguintes questões: Em que é que acredito?; Qual a minha postura face às situação de trabalho? O que estou determinado a fazer? Como vou garantir a conjugação dos interesses diversos? Como vou articular esforços? Do que sou capaz para potencializar a nossa capacidade? Que ações/medidas devo implementar? O que não pode deixar de ser feito ou alcançado? Quem vai fazer o quê e quando? Como reforçar a identidade do grupo? A identidade de um grupo resulta de vivências coletivas e da sua estória comum. Quando existe, pode constituir um precioso recurso para o líder tirar maior rendimento da equipe, uma vez que como líder terá de investir na formação e reforço da identidade favorável à rendibilização (neologismo que daria a idéia de maior rendimento) das potencialidades da sua equipe. Isso solicita que torne explícita uma imagem coletiva pela qual os colaboradores percebam de forma clara e inequívoca o que os aproxima e une (coesão); o que protege e lhes dá força (segurança); o que destaca pelo que fizeram e serão capazes de vir a fazer (auto-eficácia).

Situações de trabalho vividas, dia após dia, para cumprir rotinas são grandes inimigas do líder que pretende garantir rendimento elevado na sua equipe. Viver o trabalho sob a forma de um projeto coletivo
atrativo, em que cada um tem um empenhado protagonismo a cumprir, é o melhor antídoto para o veneno da apatia e da desmotivação. O projeto coletivo dá significado e gratificação à vida das pessoas no trabalho, na medida em que se articule e decorra dos seus anseios profundos. Nomeadamente, das aspirações de contribuir
para um resultado do qual se orgulhem e cuja execução proporcione ampla realização pessoal, por ser desenvolvida com colegas animados de sentimentos e motivações semelhantes, através de atividades que solicitam descoberta e criatividade. Para envolver a equipe num projeto coletivo não se pode prescreve-lo pois a dedicação não se obtém através de imposição. Terá de levar os seus colaboradores a terem percepções e sensibilidades semelhantes, face aos problemas de que partem, aos resultados a atingir e ao modo de os alcançar.

Este desafio consiste em obter um alinhamento, quer sobre as formas de ver a situação de partida, quer sobre as preferências da situação de chegada, bem como sobre o que tem de ser feito para lá chegar. Esse alinhamento é também emocional, dado que tem de criar sintonia no entusiasmo dos seus colaboradores. Não se perdendo de vista que alinhar a equipe não é impedir a diversidade de pensamento e de vontade, é circunscrever e reduzir a diversidade ao que é relevante para a consecução dos resultados do projeto em si. Divergir faz parte, desde que não haja dedo no ôlho nem puxão de cabelos, tudo se resolve no cafezinho.

Para construir o alinhamento no plano conceitual, terá, no entanto, de realizar uma reflexão e análise conjunta com os colaboradores quanto a forma como a equipe se posiciona e funciona na organização. Essa reflexão e análise terá de aumentar e alinhar a consciência, quer do posicionamento e funcionamento atuais quer do posicionamento e funcionamento desejáveis no futuro, tomando como referência um prazo concreto e exequível. Essa reflexão e análise coletiva sobre o funcionamento atual e futuro da equipe deverá realizar-se em torno de alguns aspectos, até porque como já disse um estudioso “O alinhamento é como uma bússola que aponta o norte e deixa alguma liberdade para optar pelo caminho a seguir”. Então em primeiro lugar teria que ser vista a caracterização das situações de trabalho da equipe. Identificar quer a forma como as situações são perspectivadas, quer a forma como, desejavelmente, deverão passar a ser vistas. Na prática significaria discriminar a missão e finalidades da equipe, os problemas e desafios, além de os obstáculos e oportunidades. Nesta análise é importante equacionar o que outras empresas e organizações estão fazendo para enfrentar e resolver situações idênticas. Não é necessário inventar a roda.

Para consolidar com os colaboradores o alinhamento no plano emocional, potencializador do entusiasmo e do envolvimento, será ainda necessário algumas outras providências como criar convicção sobre a capacidade de concretizar o projeto e sobre a responsabilidade de o pôr em prática, construir compromisso de ação conjunta, de determinação e vontade de agir até se alcançarem os resultados desejados, criar um forte sentimento sobre a importância e a urgência de atuar de imediato para concretizar o projeto. De um líder de projeto espera-se muitas coisas, dentre elas que utilize a idéia que a equipe tem de si como um instrumento de trabalho, garantindo as percepções de determinação para protagonizar ações e de que é capaz, não só de integrar as diferentes potencialidades e interesses, bem como de providenciar a concretização oportuna dos resultados. Espera-se ainda que seja coerente entre a imagem que dá de si e a pessoa que realmente é. A autenticidade é um fator chave para dinamizar a equipe que a sua flexibilidade não pode ultrapassar. Espera-se também que administre com regularidade as percepções que na equipe reforçam o sentimento de unidade, de segurança e de eficácia coletiva, que construa com a sua equipe projetos coletivos de trabalho cujo envolvimento garanta significado e gratificação à vida dos colaboradores na organização. Com isso o sucesso virá e depois é só correr pro abraço.

Mauricio de Oliveira é engenheiro industrial mecânico e consultor em sistemas de manufatura, gestão industrial e gestão de qualidade (email: mauricio@kaizzen.com.br).
Site: www.kaizzen.com.br

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