Escolaridade em alta nas empresas do País
Uma boa notícia: trabalhadores das micro e pequenas empresas apresentam, a cada ano, um melhor nível de escolaridade, com aumento significativo no número de empregados com ensino médio e superior completos, entre os anos de 2002 e 2006. Esses dados constam do Anuário do Trabalho na Micro e Pequena Empresa 2008, divulgado recentemente pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Em 2002, as microempresas contavam com somente 1,4 milhão de empregados (28% do total) com diploma do segundo grau. Em 2006, o contingente saltou para 2,3 milhões de pessoas (37,9%). A tendência se repete no nível superior, com aumento de 3,8% para 4,7%. Entre as pequenas empresas, a progressão foi ainda maior, passando de 27% para 36,1% de trabalhadores com ensino médio completo; e de 8% com ensino superior completo para 9,3%.
A realidade dos números remete a uma série de interpretações. Apesar de estar ainda aquém do ritmo desejável, o aumento da escolaridade certamente se refletirá numa melhora de qualidade das micro e pequenas empresas, que respondem pela maior fatia de geração de empregos no País e abrangem o maior contingente de empreendedores que ousam abrir negócio próprio. Inicialmente, o crédito para a boa notícia deve ser dado à expansão da rede de ensino, iniciada a partir dos anos 1990 e que praticamente universalizou o acesso ao ensino fundamental, embora ainda deixe muito a desejar no quesito qualidade.
Outro fator inegável: as empresas estão cada vez mais exigentes quanto à escolaridade e à capacitação de seus colaboradores, sejam estagiários ou efetivos. Essa tendência é, também, fruto do aprimoramento da produção das empresas brasileiras, motivado pelo acirramento da competitividade no mercado global - postura que passa, necessariamente, pela formação de capital humano de qualidade. Nesse aspecto, o estágio tem grande importância, porque é um momento em que o estudante, do ensino médio ou do curso superior, é um campo fértil para a aquisição de habilidades e atitudes corporativas que a escola não oferece. A partir de programas de estágio bem formatados, a empresa pode, então, tornar-se um verdadeiro celeiro de talentos, formando seus próprios quadros para o futuro de acordo com sua cultura.
A pesquisa divulgada pelo Sebrae traz ainda um dado relevante: a diminuição de analfabetos nas pequenas empresas (o índice caiu de 1,1% para 0,5% dos trabalhadores, nos quatro anos considerados). Em números absolutos, houve uma redução de 30 mil trabalhadores analfabetos. Se esses funcionários tivessem passado a freqüentar a escola ou cursos de alfabetização, o dado era bastante louvável. No entanto, em 2005, apenas 3,2% dos analfabetos voltaram aos bancos escolares. A interpretação mais plausível é que, cada vez mais, os iletrados - cerca de 14,6 milhões de pessoas com mais de 15 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - estão sendo afastados do trabalho formal e empurrados para o subemprego ou a informalidade.
Por essa razão, iniciativas de empresas ou entidades do Terceiro Setor, como o programa de Alfabetização e Suplência Gratuita de Adultos do CIEE, que já beneficiou mais de 50 mil pessoas, são formas de se criar mecanismos para mudar, de vez, uma realidade injusta que tanto envergonha os brasileiros responsáveis.
Fonte: Gazeta Mercantil
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