Crescimento do setor de serviços no PIB é irreversível
Nas minhas prospecções sobre o comportamento do setor produtivo, focado nas perspectivas dos negócios no Brasil, encontrei nos serviços, que muitos confundem com produtos e classificam-nos simplesmente como atividade de comércio, dificultando a sua classificação e mascarando as suas especificidades – a confirmação de que aquele setor produtivo será o futuro das micro e pequenas empresas. Chamou-me a atenção, particularmente, um estudo recentemente concluído pelo Sebrae Nacional cujo conteúdo integra o ‘Termo de Referência para atuação do Sebrae no Setor Serviços’, documento que em breve será publicado.
Naquele estudo pode-se constatar, por exemplo: o aumento da demanda de serviços em função do crescimento da renda per capita; o crescimento da sua importância para a indústria o comércio e o agronegócio; a relevância das atividades de propaganda, marketing e da logística, ou seja, da distribuição de produtos; as demandas por produtos financeiros, jurídicos e de entretenimento; e a habilidade crescente das firmas de serviços na criação de novos produtos e mercados.
O setor serviço representa na atualidade mais de 40% das micro e pequenas empresas, conferindo-lhes uma expansão da ordem de 28% do ano 2000 a 2004, gerando aproximadamente 9% do PIB e 13% da massa salarial brasileira, ocupando como empregados, proprietários ou trabalhadores individuais, quase 9 milhões de pessoas, principalmente nos segmentos de informática, transportes terrestres e atividades recreativas.
Daí a importância desse grupo de empreendimentos tanto na geração de emprego, como na redução das desigualdades sociais. Hoje, sabemos que no universo dos 2,5 milhões de empresas do ramo de comércio, há 961.784 estabelecimentos que são empregadores, mantendo 4.598 milhões de empregados, enquanto no universo das 1,9 milhões de empresas do ramo de serviços, há 845.629 estabelecimentos que empregam mão de obra, ocupando 4.502 milhões de pessoas.
O crescimento da participação dos serviços no PIB é uma tendência irreversível, observada em muitos países, como por exemplo, os Estados Unidos onde cerca de 76% da população ativa está empregada no setor. Da França, o professor James Teboul nos ensina em seu livro “Serviços em Cena”, que é muito tênue na era da globalização o limite da classificação clássica entre os chamados três setores da economia. Isto impõe aos gestores modernos mais um desafio: ampliar as competências para que os processos produtivos sejam pensados de forma integrada com os serviços prestados, exigência cada vez maior dos consumidores em escala global, fato que impõe o estabelecimento de novos paradigmas às tradicionais cadeias produtivas da agricultura, indústria, comércio e serviços.
A vista desta realidade, e pela necessidade de induzir-se um desenvolvimento regional equilibrado no Brasil, pode-se sugerir a articulação de políticas regionais, industriais comerciais e tecnológicas que possibilitem ampliar a sinergia entre os setores de serviços, da indústria, do comércio e do agro negócio brasileiro. E, o SEBRAE tem tudo a ver com isto, pela possibilidade de atuação no desenvolvimento de projetos voltados aos segmentos de serviços pessoais e aos serviços prestados às empresas dos setores de indústria, de comércio e de agro negócio, em razão de sua capilaridade territorial atuando de forma desconcentrada em todo território nacional.
Por estas razões considero da maior importância a presença do conferencistas James Teboul, diretor do Instituto de Gestão Estratégica para Dirigentes Empresariais, de Fontainebleu/França, na plenária do Conselho Deliberativo Nacional do Sebrae aqui em Brasília, no próximo dia 25, evento que será aberto às lideranças empresariais e representantes dos setores produtivos e autoridades, para debatermos o assunto serviços.
Fonte: Agência Sebrae
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