Cozinha Brasil utilizará caju nas receitas de pratos no Nordeste
Anualmente, cerca de 80% do pedúnculo do caju - a parte da polpa - são desperdiçados. São 1,9 milhão de toneladas de alimento que vão para o lixo ou são destinadas aos animais. A partir de agora, o programa Cozinha Brasil, do Serviço Social da Indústria (Sesi), vai incluir pratos a base de caju em suas receitas no Nordeste. O projeto ensina à população de baixa renda a preparar refeições de baixo custo, com alto valor nutritivo, a partir do aproveitamento integral do alimento. O lançamento do Projeto Caju foi feito ontem, durante almoço na sede da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), com pratos à base da fibra da fruta.
As receitas adotadas pelo Sesi foram desenvolvidas pelo cearense Jaime Aquino, proprietário da Cione - empresa produtora e exportadora de castanha de caju - e defensor do melhor aproveitamento do pedúndulo na alimentação do nordestino. Inicialmente, foram selecionadas dez das 46 receitas desenvolvidas pelo industrial. “Foram 15 anos de pesquisa, mas agora estou convencido de que essa idéia vai pra frente”, comemora Jaime Aquino.
O investimento do Sesi no projeto vai além da popularização das receitas à base de caju, como sopas, pastéis, hambúrguer e vatapá. De acordo com Jair Meneguelli, presidente do Conselho Nacional da entidade, o Sesi vai incentivar os produtores de caju a fazer a substituição das árvores nativas pelo caju anão, cuja produtividade é 2,5 vezes maior do que os dos primeiros. Além disso, o potencial de aproveitamento do pedúnculo é também maior no caso do cajueiro anão, já que este permite a colheita com as mãos. Em caso de queda, a possibilidade de machucar o pedúnculo também é menor. “Vamos distribuir gratuitamente mudas de cajueiro anão. Mas antes é preciso um trabalho de convencimento, mostrando para as pessoas as vantagens dessa substituição. Para isso, a parceria com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) tem papel fundamental”, afirma Meneguelli.
Apesar deste primeiro passo na popularização de receitas de aproveitamento integral do caju, o presidente da Fiec, Roberto Macedo, considera que o desperdício do pedúnculo ainda deverá ser um problema sério a combater. “Não temos tecnologia nem um processo instalado para produzir a fibra do caju em larga escala e levá-la ao mercado”, observa. Lucas Leite, chefe geral da Embrapa Agroindústria Tropical, diz que, por enquanto, uma unidade industrial de processamento do pedúnculo do caju não se sustenta economicamente, já que a safra dura apenas cerca de quatro meses. “A saída é diversificar a produção. Ter frutas que podem ser processadas e garantam oferta de matéria-prima para uma unidade industrial de janeiro a janeiro”, diz.
Fonte: O Povo
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