Comércio justo e solidário se espalha entre MPEs
A idéia do desenvolvimento sustentável chegou também aos micro e pequenos negócios. O conceito de comércio justo e solidário vem se espalhando pelo mundo. Micro e pequenos empresários de muitas confecções estão produzindo bolsas com fibra de bananeira, lingerie e roupas com fibra de bambu, camisetas de algodão ecológico e alimentos orgânicos.
Só no Estado do Rio de Janeiro, há uma série de cooperativas de pequenos produtores que acreditam e apostam na preservação do meio ambiente como ponto de partida para o exercício de suas atividades.
- O principal objetivo do comércio justo e solidário é garantir qualidade de vida e perspectiva de futuro a empreendedores por meio de produtos que respeitem o meio ambiente e que tenham sido feitos sem a exploração de trabalho escravo ou degradante - disse Cristina Frez, da cooperativa Oficina de Ervas, da área rural de Lumiar, perto de Nova Friburgo, Região Serrana.
A Oficina de Ervas trabalha com plantas - todas extraídas de áreas de proteção ambiental - que produzem chás que tratam o excesso de glicose no organismo e ajudam a curar outras doenças.
- Fazemos questão de mostrar aos lavradores que fazem a colheita das ervas que não usem agrotóxicos, que procurem sempre o adubo orgânico e que podem ganhar dinheiro sem agredir o meio ambiente - completou Cristina.
No mesmo caminho trabalha a cooperativa Trama e Paz. A cooperativa usa fibra de bananeira para confeccionar jogos americanos, almofadas, bolsas, porta-copos, entre outros produtos. Deste trabalho sobrevivem oito cooperados e mais cinco famílias que colhem as folhas de bananeira.
- Temos certeza que o material com o qual trabalhamos vem da natureza e não a agride. Reaproveitamos tudo. Só usamos as folhas da bananeira que seriam jogadas fora. Com isso, podemos até criar papéis de parede, que já estão até sendo usados pela empresa Orleans e foram expostos no Casa Cor 2007 - explicou Sandra Cevedo, uma das cooperadas da Trama e Paz.
Desde os anos 60, sobretudo nos Estados Unidos e na Europa, o conceito de comércio justo vem proporcionando cada vez mais oportunidades de negócios e desenvolvimento econômico e social. A prática hoje reúne cerca de um milhão de pequenos produtores de vários setores em vários países do mundo.
Foi para incentivar ainda mais esta produção que o Sebrae realizou o I Encontro Internacional de Comércio Justo e Solidário”, no Museu de Arte Moderna, do Rio. Cerca de 100 grupos de produtores de 10 estados apresentaram seus artigos, desde produtos agrícolas a artesanato, como bolsas de fibra de bananeira e camisetas em algodão ecológico, entre outros.
No Brasil, o comércio justo é desenvolvido há seis anos, por meio do Faces do Brasil (Fórum de Articulação de Comércio Ético e Solidário do Brasil), que congrega redes de pequenos produtores da economia solidária, ONGs e organizações públicas e privadas de fomento e apoio a iniciativas produtivas, como o Sebrae
Os produtos orgânicos - ponta-de-lança da ideologia do comércio justo e solidário -, além da defesa de uma alimentação mais saudável, buscam uma relação direta entre o produtor e o consumidor, eliminando a figura do intermediário. Por isso, os produtores apostam na ideologia que prega a erradicação dos níveis de intermediação comercial especulativa, a erradicação do trabalho infantil e escravo, a preservação da saúde e do meio ambiente e a garantia de pagamentos de preços justos pelos produtos. Num país como o Brasil, onde a maioria da população tem poucos recursos, incentivar este tipo de relação comercial é fundamental.
Exemplo disso é o que faz Érica Costa dos Santos, proprietária de uma loja na rua Tereza, em Petrópolis, Região Serrana. Ela comercializa roupas de algodão ecológico, malha confeccionada com material de garrafas PET e fibra de bambu. Sem qualquer intermediação, por cada camiseta comercializada ela paga entre R$ 0,50 e R$ 0,80 às costureiras e cobra o valor de R$ 1,50.
- Passamos a ter uma nova mentalidade do negócio. Hoje, contabilizamos melhor o valor do trabalho. Com isso, conseguimos melhorar a relação com os compradores e aumentar a produção. Na prática isso é comércio justo e solidário - explicou Érica.
Fonte: O Globo
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