BB se destaca em operações de garantia
Única operadora em atividade no País a oferecer garantia de crédito para as micro, pequenas e médias empresas aos financiamentos ofertados pela rede bancária, a Associação Gaúcha de Crédito (AGC), de Caxias do Sul (RS), viu disparar nas últimas semanas procura de pedidos para obtenção de linhas de capital de giro. A demanda acumulada no mês soma R$ 1,5 milhão e deve ser zerada até a próxima semana, informou à Gazeta Mercantil, o diretor Fernando Vial. A indústria é o segmento mais atuante. Os valores giram entre R$ 20 mil e R$ 200 mil.
No fechamento acumulado dos dez meses deste ano, a AGC garantiu 118 operações com rede de bancos conveniados, totalizando um montante de R$ 3,8 milhões, dos quais a instituição banca a garantia de 65%. A diferença é negociada entre as partes. “No momento em que é realizada a operação o percentual referente à garantia é depositada na conta do banco”, conta Vial. Entre janeiro e outubro de 2007 foram efetuadas 83 operações com garantia, somando R$ 2,7 milhões. O valor médio situou-se em R$ 43 mil, independentemente do porte da empresa.
Afora a garantia, o outro atrativo é o custo do dinheiro mais baixo. O Banco do Brasil (BB) se destaca entre os bancos conveniados com a AGC ao oferecer TR mais juro de 1,65% ao mês. “Dificilmente se encontra algo parecido hoje no Brasil”, diz o executivo em tom de desafio. “O Banco do Brasil foi o único que não mexeu nas taxas após o tumulto no mercado internacional”, informa Vial. Os demais, segundo ele, reajustaram suas taxas para cima. “Até pouco tempo atrás fazíamos a prospecção de clientes. Hoje somos chamados pelas empresas”, compara o diretor da instituição.
Postura de cautela
“Os principais destinos para estes recursos são a renova de matéria-prima, ou de uma compra não prevista, pagamento de débitos atrasados e equilíbrio do fluxo de caixa”, destaca Vial. Indústria gráfica, plástica, metal-mecânica, de móveis e alimentos estão entre os setores com maior número de solicitações. “Com o agravamento da crise lá fora houve um recuo natural de pedidos para investimentos em ampliações e capacidade instalada. O pessoal adotou uma postura de cautela. Prefere esperar os próximos lances.”
A AGC foi criada em 2006 a partir de modelo associativo existente na Europa do Pós-Guerra. A garantia é uma resposta para um dos entraves para obtenção de crédito para empresas que não possuem bens. Desde então ela já garantiu financiamentos da ordem de R$ 10,6 milhões.
A taxa de inadimplência neste período foi de 1,2%. “Até o momento tivemos perda de R$ 14 mil”, salienta o executivo. Além do BB, a entidade mantém convênios com o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), a Caixa-RS (banco de fomento), Sicredi, e o NBC Bank Brasil. “Esta semana vamos receber a visita do vice-presidente da Caixa (Caixa Econômica Federal), que vai conhecer o sistema”, antecipa Vial.
Associação
A AGC atende a um universo de 60 mil empresas de 32 cidades que formam o Conselho Regional de Desenvolvimento da Serra (Corede Serra).
Para ter acesso aos financiamentos com as taxas atraentes é necessário ser associado, pagando taxa de adesão única (que pode ser parcelada) que varia de acordo com o porte da empresa. Para as micro são cinco parcelas de R$ 100,00, para as médias são dez parcelas de R$ 100,00 e para as médias são 24 parcelas de R$ 100,00. O critério para definição de empresas é o da Receita Federal. “Temos cerca de 30 empresas que estão na segunda e na terceira operação com a associação”, diz Vial.
Fonte: Gazeta Mercantil
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