Realidade, Ficção e Sistema de Gestão

Por Maurício de Oliveira em jan.04, 2012 em Administração

Maurício de Oliveira Realidade, Ficção e Sistema de GestãoSer um bom gerente hoje, responsável por um sistema onde muita coisa tem de acontecer a tempo e a hora, não é tarefa das mais fáceis e para muitos funcionários, principalmente aqueles mais simples, seu gerente é quase um super-herói, um cara fora de série, que sempre tem solução para tudo. Quando passa  desperta olhares respeitosos, prenhe de admiração e, à boca pequena, seus gestos e atitudes são imitados. Com todo respeito, claro!

Mas para fazer o melhor e atingir os indicadores de excelência que a diretoria espera, o gerente tem de estar ligado o tempo todo, de preferência em 220 volts, ver através das paredes, ler pensamentos, hipnotizar com um simples olhar, não se esquecendo de ficar bem longe de kriptonitas e de usar a supervelocidade para chegar a tempo de ver a filha dançar balé na apresentação da escola.

Bem, os puristas dirão que tudo não passa de fantasia, que um gerente não pode se dar ao luxo de ficar no mundo da ficção, sob pena de ser atropelado pela realidade. Não é bem assim, fantasia  e realidade pode coexistir sem nenhum problema; na verdade sem um pouco de fantasia talvez fique impossível. A fantasia há muito tomou emprestada a ideia de um outro mundo da mitologia, da lenda, do conto de fadas. Saturno, Marte, Olimpo, Valhala, são todos universos alternativos diferentes do mundo físico familiar em que vivemos e para o qual à vezes precisamos fugir. A fantasia do século XXI  frequentemente apresenta o conceito como uma série de planos de existência onde as leis da natureza diferem, permitindo a existência de fenômenos mágicos e sobrenaturais de algum tipo em alguns planos.

Em outros casos, tanto na fantasia quanto na ficção científica, um universo paralelo é uma outra realidade única e sua coexistência com o nosso é um princípio usado para levar um protagonista da realidade de um autor para a realidade da fantasia. Ou esta outra realidade singular pode invadir a nossa. Em tais histórias, a natureza desta outra realidade é freqüentemente deixada misteriosa, conhecida apenas por seus efeitos em nosso próprio mundo. Qual gerente ou executivo já não teve vontade, durante uma reunião ou negociação, de fulminar aquele chatonildo de galocha com uma pistola de laser, por baixo da mesa, ou de manda-lo para o hiperespaço? Talvez o uso mais comum do conceito de um universo paralelo na ficção científica, e na nossa fantasia, esteja no conceito de hiperespaço. Bastante usado na ficção científica, este conceito se refere freqüentemente a um universo paralelo que pode ser usado como um atalho mais rápido que a luz para viagem interestelar e para onde mandamos nossos inimigos.

Não há porque não se usar de um pouco de fantasia, de ficção na vida real para temperar a rotina. E talvez esta seja a palavra chave: temperar. Para tudo tem de haver um tempero no ponto certo. Realidade é realidade, e ela se impõe. Fantasia é fantasia e dela somos despertados. A coexistência das duas é exatamente o ponto do tempero, senão vejamos: vinagre e azeite não se misturam de jeito nenhum, pode-se tentar todos os processos conhecidos e não se logrará êxito. Mas formam um excelente tempero. Logo, realidade e fantasia são como vinagre e azeite, não se misturam mas dão uma boa salada. Deixe a fantasia fluir e… carpe diem!

Os bons diretores de filmes de fantasia freqüentemente querem levar personagens da sua realidade para o seu mundo inventado. Antigamente, isto era feito com maior freqüência escondendo mundos fantásticos dentro de partes ocultas do seu universo. Personagens  podiam embarcar num navio e se descobrir repentinamente numa ilha fantástica,  ou serem sugados por um tornado e aterrissar em Oz, ou descer por uma toca de coelho e terminar no País das Maravilhas, ou dançar num salão em Viena com o Conde Drácula. Estas histórias de “mundos perdidos” podem ser vistas como os equivalentes geográficos de um “universo paralelo”, visto que os mundos representados estão separados do nosso próprio e escondidos de todos, exceto daqueles que empreendem a difícil jornada de dar um pulinho até lá.

A fantasia e a ficção estão presentes o tempo todo na nossa rotina;  é só sair na rua e olhar em volta com olhos que queiram ver. Qualquer nuvem de chuva atravessada por raios de sol poderá dar a impressão de um portal se abrindo, e de onde sairá Dark Side e sua trupe para conquistar a terra,  por outro lado a intolerância dos atômicos-aiatolás-iranianos  poderá levar o mundo à destruição total enquanto uma gigantesca abóbora transgênica rola as ribanceiras de Nova Friburgo junto com a enxurrada de verão.  É tudo uma questão de tempero;  fantasia e realidade podem e devem coexistir no mesmo espaço, tal como o azeite e o vinagre.  Busque a excelência dos seus indicadores, voe à velocidade da luz, incinere os maus fornecedores com a sua visão de calor, leia o pensamento dos concorrentes e não se preocupe, pois a fatura do cartão de crédito no fim do mês te resgatará  para a realidade.

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