Produtividade Num Contexto Social

Por Maurício de Oliveira em jan.12, 2012 em Administração

Maurício de Oliveira Produtividade Num Contexto SocialMedir produtividade não é assunto meramente técnico e econômico, pois a produtividade não pode ser definida dentro dos limites da tecnologia e da economia. Isto é, o técnico e o economista só podem avaliar a eficiência e a produtividade em função de objetivos implícitos ou explícitos . Poucos termos se prestam a uma variedade tão grande de interpretações diferentes e mesmo antagônicas quanto a produtividade. Para um gestor de produção, produtividade é simplesmente a quantidade produzida por unidade de tempo. Para um economista, é a relação entre a quantidade de produção e a quantidade de um dos fatores de produção utilizados. Para um dirigente de empresas, produtividade seria a relação entre o lucro bruto e o investimento total. Para o trabalhador, o seu trabalho é produtivo se lhe proporciona satisfação e um rendimento suficiente para usufruir de uma vida plena; para o patrão, o trabalho é produtivo se cada empregado obtiver um máximo de produto com um mínimo de salário. Esta diversidade de conceitos não significa que um destes conceitos esteja correto e os demais errados, ela exprime a diversidade de objetivos perseguidos pelos diferentes agentes econômicos, conforme a sua classe social, a relação com o processo produtivo ou mesmo conforme as suas ambições individuais. Por outras palavras, a produtividade só se define em relação a um objetivo e a busca pelo seu aumento é uma obsessão. Em tese, a produtividade assim concebida poderia ser aumentada de três formas:

1. Poupando trabalho – exemplo: todas as formas de mecanização e automatização;
2. Poupando capital – exemplo: controle de estoque, poupança de energia;
3. Poupando capital e trabalho na mesma proporção – exemplo: todas as formas de intensificação e racionalização do trabalho.

A primeira forma tem clara predominância na história do progresso. Nas fases de expansão, o sistema acumula capital mais rapidamente do que cresce a população de trabalhadores. Como esse capital precisa de ser transformado em meios de produção, há todo o interesse em descobrir equipamentos que necessitem de menos trabalho, pois a desproporção crescente entre a quantidade de capital e a de trabalhadores levaria, de outra forma, a uma escassez de mão-de-obra, que criaria concorrência generalizada nos sistemas para obter trabalhadores que operassem os equipamentos, o que elevaria drasticamente os salários e encorajaria reivindicações, pois já não existiria a ameaça do desemprego. Cenário esse que causaria calafrios ao empresário-capitalista. Neste contexto a aplicação de elementos de mecanização e automação multiplica a produção por unidade de tempo, com substancial aumento de produtividade. Cabe lembrar também que a automação tende a centralizar o processo de produção, aumentando o controle da administração sobre a empresa e facilitando a substituição de trabalhadores, o que certamente contribui para atrair o interesse dos empresários para ela.

Mas o foco principal das empresas, quando o assunto é produtividade é o desempenho do trabalhador. Existem várias formas de aumentar o desempenho do trabalhador. A mais conhecida é a que se caracteriza pelo planejamento minucioso dos métodos de trabalho por especialistas (engenheiros de produção), que visa aumentar a produtividade pela minimização do tempo de trabalho despendido para atingir um objetivo e pela separação absoluta entre as funções de planejamento e execução, método desenvolvido por Frederic W. Taylor, ou seja, visa organizar o trabalho para alcançar o máximo de rendimento com um mínimo de tempo dispendido. As suas características mais essenciais deste processo seriam:

a) A separação radical entre planejamento e execução, colocando os métodos de trabalho sob rigoroso controle da administração, rompendo com um costume anterior de deixar grande parte da organização do trabalho ao critério dos operadores;

b) O extremo parcelamento da execução (idealmente, cada operário deve realizar apenas uma operação);

c) A análise de cada operação em seus movimentos componentes para redesenhá-la de forma a minimizar o tempo empregado.

O aumento da produtividade pelo aumento de desempenho do trabalhador, que poupa capital e trabalho na mesma proporção, ganha importância em três situações:

1. Quando a escassez de capital ou a contração do mercado não permitem realizar os investimentos necessários à automatção;
2. Quando a abundância relativa de mão-de-obra torna a automação economicamente inviável; e
3. Quando a automação é tecnicamente inviável com os recursos disponíveis.

Outras das formas de aumentar o desempenho do trabalhador baseia-se num princípio muito diferente, de foco socializante, como é o caso do movimento de “relações humanas”, cuja prática poderia ser descrita como a de procurar minimizar os antagonismos entre os objetivos do capital (empresa) e os do trabalho (trabalhador). Raciocina-se que o trabalhador terá um desempenho muito superior se as mesmas ações que levarem ao cumprimento dos objetivos econômicos da empresa, levarem também ao cumprimento dos objetivos econômicos do trabalhador, ou seja, os objetivos deixariam de ser meramente econômicos e seriam também objetivos sociais. Levado às últimas consequencias, este método acabaria por se opor ao próprio princípio básico de Taylor, ao reconhecer a necessidade de uma motivação intrínseca ao trabalho que só pode ser dada deixando-se os trabalhadores organizarem o próprio trabalho em alguma medida (autonomia). O mais comum, no entanto, é que o método se limite a condicionar o cumprimento dos objetivos sociais e econômicos do trabalhador ao cumprimento dos objetivos buscados pela empresa.

A partir deste visão moderna, todo o objetivo técnico ou econômico se subordinaria a um objetivo social. O gestor que nega isto, ou ignora como se insere no mundo, ou pretende ocultar os fatos. E a sociedade que ignora isto, corre o risco de deixar os seus sistemas funcionarem sem objetivo, ignorando os seus próprios interesses.

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