Como Fazer o PCP Funcionar? – parte II

Por Maurício de Oliveira em ago.11, 2011 em Administração

Maurício de Oliveira Como Fazer o PCP  Funcionar?  –  parte IIO depto de planejamento e controle da produção é parte fundamental de um processo que envolve o planejamento e a organização de todos os processos de fabricação da produção, sendo de extrema importância para a obtenção de melhores resultados a nível de aumento da produtividade. O pcp faz o planejamento da produção em toda a sua extensão e atua na coordenação de suas ações, com a finalidade de que sejam cumpridos e atingidos todos os resultados previamente estabelecidos em termos de quantidade, qualidade, prazo e lugar. Por isso precisa funcionar bem. Vimos no artigo anterior que um bom depto de engenharia de produção dá substancial ajuda ao pcp, no sentido de fornecer valiosas informações que permitam ao depto ser determinístico em relação as datas em que efetivamente ocorrerão os eventos. Demonstramos ainda que a utilização de modelos matemáticos e informática também só soma. Além disso um bom acompanhamento através de softwares específicos são importantes em controle de obras de grande porte, de caldeiraria ou de montagem por exemplo.
Através do acompanhamento, a gerência de pcp tem a possibilidade de verificar, dentre todos os serviços em andamento, quais deverão ser executados em um determinado período, bem como verificar com antecedência o acontecimento de possíveis gargalos de fabricação. Assim sendo, possibilita programar as máquinas e o pessoal de chão de fábrica para executar as tarefas conforme planejado. Um outro aspecto também interessante neste tipo de controle é a possibilidade de poder determinar antecipadamente, quais os funcionários que estarão envolvidos no processo de fabricação, bem como também prever possíveis necessidades de utilização de horas extras, de acordo com a demanda. No caso de ocorrências de imprevistos durante os processos de fabricação, tais como quebra de máquinas ou falta de mão-de-obra, é possível realizar estudos que possibilitem a gerência chegar a uma tomada de decisão com maior velocidade e confiabilidade, através da visualização da programação de cada processo em todos os serviços, sempre visando à solução dos problemas sem que ocorram atrasos na fabricação. O acompanhamento da produção é muito importante, pois permite a introdução de correções que garantirão a execução do programa previsto. Outro detalhe importante é a possibilidade de, com antecedência, poder planejar a manutenção de máquinas e equipamentos, não gerando maiores problemas para o pessoal da produção. O que falta então para um pcp funcionar bem?
Bem, vimos que temos todos os meios para realizar uma obra no prazo, não é? Então o que falta para aumentar o grau de certeza de sucesso do pcp? Saber se o material já está todo comprado. Este é o maior problema que impede o pcp de funcionar bem: o setor de compras. Em muitas indústrias ele não está subordinado ao pcp, ora atua isoladamente, ora tem gerência própria ou nem uma coisa e nem outra. Mas este é o calcanhar de aquiles. Normalmente uma empresa gasta grande parte da sua receita na compra de materiais, suprimentos e serviços. Um pequeno percentual de economia em custos de material pode significar um aumento substancial nos lucros. Assim, um bom setor de compras é, também, peça chave na lucratividade da empresa. Um setor de compras deve ficar subordinado ao pcp por vários motivos citando dentre eles: a necessidade de execução de um planejamento e programação de compras que atue concomitantemente com a programação de fabricação, vale dizer que itens de fabricação terão que estar disponíveis muito antes que itens de montagens; por outro lado não tem o menor sentido grandes quantidades de materiais caríssimos dormindo no almoxarifado, suas faturas vencendo trinta dias depois da chegada, sem que os mesmos tenham entrado em fabricação.

Adicionalmente o controle do lead time de compras é fundamental e tem de ser feito a pente fino, com o mesmo rigor com que se controla a produção. Contudo para que isto vire realidade há que se ter fornecedores de produtos e serviços confiáveis e selecionados, o que nos leva a uma outra providência que é a seleção e qualificação de fornecedores, tarefa altamente estratégica para os negócios de qualquer indústria, de forma a ter um sistema de compras garantida, o que nos levaria a ter de responder a algumas questões: Quais seriam as fases de seleção de fornecedores ? Quem deve efetuar esta seleção e qualificação ? Qualificação por visita ou por formulário eletrônico? Como fazer a Relação de Fornecedores? Quais seriam as características ideais de um fornecedor dentro do tipo de negócio da empresa? Como encontrar o fornecedor do “tamanho ideal” em relação ao volume de negócios da organização? Onde encontrar fornecedores para um produto ou serviço que nunca foi comprado antes? Como racionalizar a base de fornecedores? São perguntas cujas respostas tem de estar na ponta da língua para um pcp funcionar bem.
É possível um bom depto de pcp funcionar, mesmo sem uma engenharia de produção atuante e completa, ou mesmo sem um sistema informatizado com simuladores de última geração, ou ainda sem um acompanhamento eficaz. Mas é impossível acontecer sem um setor de compras que disponibilize os materiais certos, nas quantidades certas, com a especificações e qualidades certas. Na hora certa! Dies posterior prioris est discipulis.

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